10/05/2019 às 09h19min - Atualizada em 10/05/2019 às 09h19min

Para Dona Cacilda

CELSO MACHADO
Neste domingo dedicado ás mães quero te dizer uma porção de coisas que talvez não tenha dito quando você estava conosco. E se por acaso as disse não importa; importa que pra mim você foi e sempre será única, minha baixinha querida.

Foi maravilhoso ter nascido seu filho, receber todo carinho, ensinamentos, lições e a proteção que sempre dedicou a mim e a meus irmãos. Até das surras, broncas, castigos relembro com carinho porque aprendi muito com eles.  Ajudaram demais na formação do meu caráter. De tantas coisas que você pacientemente ensinou na infância, nunca vou esquecer do respeito aos professores, do cuidado na lida com as pessoas, de assumir os erros e aceitar as punições.

De ficar atento aos conselhos e exemplos do meu pai e dos amigos sinceros que vocês fielmente conquistaram. De conviver bem e cuidar de meus irmãos. Da importância e valor do trabalho, mesmo que não remunerado, porque em todos os momentos  nunca devemos perder a oportunidade de sermos úteis. De contribuir, auxiliar em alguma iniciativa válida.

Jamais me achar superior a ninguém, muito menos aos mais humildes, mas também não me julgar inferior por ter menos condições financeiras ou posição social. Você transmitia tanto conhecimento que me fazia duvidar que tivesse apenas o primário. Mas que você concluíra com “louvor” como fazia questão de enfatizar.

Por você e meu pai desde criança aprendi a gostar de Portugal. Dos portugueses, dos seus hábitos, da sua maravilhosa culinária, do espírito desbravador, dos lugares encantadores que me fizeram conhecer  antes mesmo de quando tive a oportunidade de visitá-los realmente. Quando me tornei jovem e passei a frequentar as noitadas sempre generosas em cervejas e às vezes  Drury’s e Old Eigth, whiskys que a condição financeira permitia desfrutar, era um gostoso martírio acordar com você me servindo um copo de café com leite na cama. E para completar, vestindo as meias nos meus pés.

Mesmo de ressaca e com aquela mistura nada amistosa entre bebida e café com leite não tinha como reclamar porque carinho, mesmo em excesso não é coisa de se jogar fora. Quando papai adoeceu você esteve todo momento ao lado dele e mesmo sentindo muito sua falta, soube superá-la sem perder a alegria e vontade de viver.

Você sempre teve muito orgulho da minha trajetória social e profissional. Não tem como esquecer a alegria que manifestou já quase no final de vida, quando contei da minha nomeação como diretor da Algar, grupo onde construí minha carreira. Como morava em frente a Close, a produtora de vídeo que montamos, você ficava atenta e dava notícia de tudo. Das noites que o Gian e o Rogerinho ficavam lá  pacientes na espera dos “renders” das edições digitais que estava bem no início e por aí afora.

Mesmo com o natural ciúme da mãe que conviveu grande parte da sua vida junto ao filho caçula que casou já depois dos 30, conviveu maravilhosamente bem com a Rosilei, numa relação de afeto recíproco. Adorava os netos, tanto a Taisa quanto o Pedro, mas havia  ligação mais forte com a Taisa que herdou muito de suas características, não apenas as físicas. Hoje ela é a minha outra baixinha querida.

Lutou muito, de todas as formas para viver. E viveu todo tempo que esteve viva, desfrutando dos prazeres da culinária e de uma cervejinha até mesmo mais do que do vinho para surpresa de muitos pela sua origem lusitana. Menos para mim que tinha certeza que isso era para me agradar e me fazer companhia em tudo.

Vou terminando por aqui com tanto ainda para lhe falar.   Se não disse tudo a culpa não é minha, mas sua, por ser tão relevante e inesquecível  em nossas vidas. Saudade sim, sempre. Tristeza não mais, nunca. Quem teve uma mãe como você tem mais que agradecer todos os dias por esse privilégio.

Um beijão da Rosilei, da Taisa do Pedro e meu. Domingo faremos um brinde em sua lembrança. Quem sabe o Vasco lhe dê uma vitória de presente neste fim de semana? Mas aí é pedir demais, algo quase sobrenatural!
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