09/05/2019 às 09h13min - Atualizada em 09/05/2019 às 09h13min

Governação liberal fake

JOÃO BATISTA DOMINGUES FILHO | CIENTISTA POLÍTICO
Presidência Bolsonaro: planificada, dirigista, intervencionista e instável em microeconomia, cujos excessos de burocracia, excesso de regulação, excesso de impostos e Receita Federal todos os dias inventa nova interpretação da legislação já infernal com cobranças de tributos sobre o passado. Brasil tem 180 mil leis federais, 80 milhões de processos em tramitação e 5,5 milhões de normas legais nos três níveis de governo (federal, estadual e municipal). A Constituição de 1988 tem 250 artigos e 114 disposições transitórias e já passou por 99 emendas. Uma empresa precisa ter 25 vezes mais pessoas para cada volume de produção, para administrar a parte tributária, trabalhista e de obrigação acessórias, sem ter a certeza que está fazendo tudo certo.

Endogenamente em crise, o populista capitão-presidente existe para capturar e manter eleitores por todo o Brasil. Presidência populista prometeu em campanha o que sabia não poder cumprir em sua governança presidencial. Toma decisões que o orçamento público não comporta, com apelo eleitoreiro aos pobres e desvalidos, enfraquecendo nosso regime democrático. Vivenciamos ciclo econômico recessivo, com aumento do número de pessoas em situação de pobreza e miséria, sem aumentar os beneficiários do Bolsa Família. 50 milhões de brasileiros são atendidos pelo Bolsa Família: mesmo número de 15 anos atrás quando foi criado, como programa de transferência de renda liberal. Fim simplesmente eleitoreiro, nosso presidente populista concedeu 13* ao Bolsa Família, refugando descaradamente seus slides do PowerPoint entregue à Justiça Eleitoral: “pretendo instituir uma renda mínima para todas as famílias brasileiras (...) Nossa meta é garantir, a cada brasileiro, uma renda igual ou superior ao que é atualmente pago pelo Bolsa Família.” Esse 13* às vésperas do período natalino deste ano captura os eleitores Norte e Nordeste para eleições 2020. É o desprezo populista aos brasileiros em situação de empobrecimento crescente entre 2014-2017: 21% da população brasileira na pobreza, segundo Banco Mundial. Liberalismo econômico fake desse capitão-presidente do Brasil. Presidência em governação eficiente para fins eleitoreiros, mas sem comprometimento universal com a dignidade humana dos brasileiros, com mercados livres e abertos, com edificação de governo de tamanho limitado e sem reformas estruturais. Tem verdadeira ojeriza a tudo que é Liberalismo: política comercial, política macroeconômica, política de concorrência, política industrial, política de imigração e visões anacrônicas do multilateralismo. Capitão-presidente do Brasil tem verdadeiro temor e tremor frente ao liberalismo econômico, às diretrizes dos projetos de seu superministro Paulo Guedes. Mais uma vez confirma o padrão eleitoral brasileiro: projeto para ganhar eleições não é programa para governança na Presidência.

Liberalismo fake desse capitão-presidente não é indicador que vai arrumar a economia brasileira: rombo nas contas públicas, dependência excessiva do setor produtivo pouco competitivo do Estado, baixo conteúdo tecnológico, indústria sem “preço” para exportar nem para os mercados da América Latina. Milagre econômico dos anos 70 e crescimento recorde entre 2002-2008 são exceções que esse liberalismo fake não repetirá. Presidência Bolsonaro tem tudo para não ser o meio que o Estado induzirá o Brasil ao desenvolvimento de seu potencial, realizando: salto tecnológico, avanço na revolução digital, designer comandado por impressoras de três dimensões e indústria 4.0, com mão de obra preparada para absorver essas tecnologias. Exceções de eficiência: áreas do petróleo e do agronegócio. Década perdida dos anos 1980-1989 com crescimento médio de 3,3%. Expansão média do PIB na década 2009-2018 de apenas 1,21%. 2019: PIB de 1,71%. Empresas com enorme capacidade ociosa e demanda fraca de consumo das famílias. Investimento desacelera com a desaceleração da demanda agregada. Aumento da “Confiança” no liberalismo fake do capitão-presidente não aumentará o investimento público e privado. Crescimento consistente do emprego formal elevará o crédito para iniciar o ciclo de consumo das famílias. Elevada informalidade do emprego e baixos salários só darão votos ao populista na Presidência. Nelson Rodrigues profetizou: os idiotas tomarão conta do mundo pela simples quantidade. Idiotas governantes e eleitores vão ter sucesso em piorar nosso Brasil brasileiro 9*, economia do planeta terra. Espero estar redondamente errado.


*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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