04/05/2019 às 09h00min - Atualizada em 04/05/2019 às 09h00min

​Síndrome do Pânico

TÚLIO MENDHES | JORNALISTA E ESCRITOR
Olá! No nosso primeiro contato aqui no Diário de Uberlândia, quero refletir com você sobre SAÚDE MENTAL. Sim, nossas mentes precisam de cuidados para terem uma boa saúde!

Bom, saúde mental implica muita coisa importante! Para começar, quando estamos mentalmente saudáveis, compreendemos que não somos perfeitos, que temos limitações e que ter tudo o que desejamos é uma coisa inviável. Nossa mente vive todos os dias um leque de emoções. Ficamos alegres, frustrados, tristes, realizados, com raiva, entramos em pânico etc... Compreendendo isso e com equilíbrio conseguimos enfrentar os obstáculos propostos pelo dia a dia. Entendemos quando precisamos de ajuda para lidarmos com traumas, conflitos, perturbações e com as importantes transições que surgem nas várias fases que vivenciamos.

Ao falarmos de saúde mental, obviamente que abordaremos as doenças, sim, DOENÇAS que nossas mentes estão sujeitas. Hoje, especificamente, entenderemos um pouquinho sobre uma dessas doenças: a síndrome do pânico. Você sabe o que é síndrome do pânico? Muito comum nos dias atuais, o transtorno pode causar episódios de medo extremo e pânico, sem nenhum motivo aparente, e ocorrer de forma repentina e inesperada. Mas afinal, porque isso acontece?

Bom, é essencial entendermos que o pânico é uma espécie de alarme do nosso sistema nervoso. Ou seja, natural. Ele funciona como um mecanismo de defesa, que nos alerta e protege de incidentes perigosos. Por exemplo, quando um carro vem desgovernado em nossa direção, automaticamente, entramos em pânico. Assim, nosso ritmo cardíaco aumenta, temos aquela sensação de “suor frio” e rapidamente reagimos a situação. E é essa bendita reação que nos salva do perigo e faz com que a gente saia da frente do carro. Portanto, o pânico pode ser algo bom para o ser humano, desde que só aconteça quando nós precisamos dele. Ou seja, a síndrome do pânico, é um DISTÚRBIO mental que se dá quando temos ataques e picos extremos de ansiedade por acreditar que algo de muito ruim irá nos acontecer.

Na verdade, é o mais comum dos transtornos de ansiedade. Sem controle e, frequentemente sem motivos, a pessoa passa a sentir sintomas físicos marcados por crises de ansiedade semelhantes ao de um ataque cardíaco. É muito comum pessoas procurarem atendimento no pronto-socorro no início das crises, pois os sintomas realmente se confundem com os de um ataque cardíaco. Estima-se que 3% dos brasileiros experimentam pelo menos um episódio por ano.

O principal sintoma psíquico que a crise desperta é o medo de morrer. Durante o episódio, a pessoa sente-se ameaçada por tudo e todos, apresentando mania de perseguição ou os outros sintomas físicos que mencionei. Geralmente, essas crises duram cerca de 20 minutos, mas deixam o medo da recorrência. Enfim, é um movimento duplo de sentir e temer o que se sente. Se não tratado, o transtorno de pânico pode levar à “agorafobia”, que é um medo intenso de estar fora ou em espaços abertos.

O transtorno do pânico está associado a transições significativas que ocorrem na vida, como deixarmos a casa dos nossos pais para enfrentarmos a faculdade, casarmos ou ter o primeiro filho são as principais transições que podem criar estresse e levar ao desenvolvimento da síndrome do pânico.

Informações sobre a doença indicam que certos grupos são mais propensos a desenvolver o distúrbio. Em particular, as mulheres estão duas vezes mais propensas que os homens. As pessoas que sofrem com a síndrome, muitas vezes também têm depressão grave. Lembrando que não há evidência de que uma condição cause a outra. 
 
O tratamento pode ser feito através de medicamentos e acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Contudo, a eficácia do tratamento varia entre pessoas. Embora a psicoterapia seja um processo eficaz, em alguns casos os profissionais podem recomendar um trabalho multidisciplinar. Psicólogos e psiquiatras costumam atuar em conjunto.

A síndrome do pânico inclui pelo menos quatro dos seguintes sintomas: palpitações cardíacas, espasmos involuntários, sensação de falta de ar, dor no peito, náuseas, sensação de desmaio, calafrios ou ondas de calor, dormência, sentimentos de irrealidade, medo de perder o controle ou medo de morrer. Se você sentir sintomas de um ataque de pânico, procure atendimento médico. Quanto antes for realizado o diagnóstico, maior a chance de reversão do quadro evitando recorrências.

No próximo sábado, continuaremos falando sobre esse transtorno, afinal, há muito que dizer. Aguardo sua companhia. Até lá!
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