03/05/2019 às 08h00min - Atualizada em 03/05/2019 às 08h00min

A feira da foda

CELSO MACHADO
Reza a história que os habitantes de Monção, uma pequena aldeia de Portugal, não tinham rebanhos e iam para as feiras comprar animais. Alguns criadores, com o objetivo de conseguir melhor preço, colocavam bastante sal na ração o que obrigava os animais a beberem muita água. Na feira, pareciam pesados e muitos incautos compravam aqueles autênticos “sacos de água”. Quando percebiam que haviam sido enganados, exclamavam com uma expressão típica da região do Minho: “que grande foda!”

Outra versão conta que muitas mulheres dos camponeses preparavam pratos em fornos comunitários que várias vezes caiam pelas estradas, que eram muito mal conservadas. Elas desabafavam: “Que grande foda, ficamos sem refeição!”

O termo foi-se vulgarizando e virou um prato gastronômico: Foda à moda de Monção. Que a partir deste ano oficialmente passou a fazer parte das “Maravilhas culinárias portuguesas”. Até parece aquelas letras de música sertaneja com duplo sentido, mas não é nada disso, apenas um evento diferenciado que acontece anualmente em Portugal.

Pois bem, como por coincidência estava em Portugal na época da feira e ainda por cima, na cidade de Braga que fica perto de Monção fui lá com minha esposa, meu irmão e minha cunhada. Duas coisas me chamaram a atenção, o grande número de público e a desorganização. Para se ter ideia o tal cabrito assado preparado de forma típica e que recebe o nome de “Foda à moda de Monção” é vendido apenas em uma barraca. Quem quiser experimentar precisa enfrentar uma fila enorme para adquirir a ficha e outra bem maior ainda para retirar o prato.

Perguntei a um senhor de uma barraca que vendia vinho verde porque não aumentar os pontos de entrega da comida. Ele gentilmente respondeu: “Olha, meu senhor, fila tem que ter porque é muita gente. E quanto aumentar as barracas para servir a foda não é possível”. Insisti não é possível por quê? Veio a resposta muito esclarecedora: “Não é possível porque aqui é assim”. E ponto final. Logo me deixou para ir atender outros clientes.

Assim fui à feira da Foda, mas não comi a dita cuja. Numa outra barraca comprei um delicioso “prego” que é como chamam por lá pão com carne e tomei belos vinhos regionais. Vim embora pensando na atração que uma denominação provocativa é capaz de despertar. E na mídia espontânea que gera.

Não seria o caso de uma “Feira do Rabo” por aqui em Cruzeiro dos Peixotos e Martinésia, oferecendo um prato tão típico nosso, a rabada feita com o rabo da vaca?

Penso que seria sucesso, ainda mais complementado com shows de música raiz, quiosques vendendo boas pingas, queijos e doces regionais, etc.
Com certeza a “Feira do Rabo” ia ajudar esses dois lindos distritos ficarem conhecidos rapidamente no Brasil inteiro. Posso estar sendo ridículo e peço desculpas. Mas sinceramente pra mim foda é também não exploramos o potencial atrativo de Cruzeiro e Martinésia.

Até a próxima, caro leitor. Ah, e caso alguém se interesse em fazer a receita, basta procurar na internet por: arroz de cabrito à moda de Monção!
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