30/04/2019 às 08h09min - Atualizada em 30/04/2019 às 08h09min

Experiências em Portugal

ANA MARIA COELHO CARVALHO
Em abril deste ano visitei Portugal na companhia das duas filhas. Foram 12 dias de aprendizado, com visitas a palácios, igrejas, museus, fortes e praças. Uma volta ao passado com rainhas e reis portugueses e histórias das grandes navegações. E também uma oportunidade de saborear o bacalhau gostoso regado a azeite, o vinho do Porto e os pastéis de Belém.

Começamos nossa viagem por Lisboa. Alugamos um carro e passamos por Sintra, Óbidos, Porto e fomos até Pinhão, no vale do rio Douro, onde visitamos a igrejinha São Domingos e a pia batismal onde meu avô Antônio foi batizado. Foi emocionante voltar à terra dos antepassados, onde começou a história da família. Na volta para Lisboa passamos por Fátima e sentimos a presença de Nossa Senhora por lá, além de assistirmos a uma apresentação de canto gregoriano.

Em Lisboa, nos encantamos com a grandeza do Rio Tejo e com as suas duas pontes enormes. É gostoso andar nas margens e apreciar o rio. Subimos no Arco da Rua Augusta e tivemos uma linda vista da enorme Praça do Comércio, com o rio ao fundo. No Castelo de São Jorge, da época islâmica, bem no topo da colina, a vista também é magnífica. Como todo turista, visitamos a Torre de Belém, patrimônio da humanidade, construída em 1520 por D. Manuel I, com torres de vigia e canhoneiras para tiros de artilharia. E o Museu dos Coches, com inúmeras carruagens com esculturas douradas, cheias de histórias, como a usada em 1729 para carregar a infanta portuguesa Maria Bárbara, filha de D. João V, quando foi levada para se casar com o príncipe espanhol D. Fernando. Os bairros históricos, como o Baixa Chiado, Bairro Alto e Alfama, com muitos restaurantes e cafés aconchegantes e nostálgicos, com pessoas cantando fado. Carros elétricos amarelos, repletos de turistas, percorrendo os trilhos e as ladeiras. Na famosa Avenida Liberdade, no Cine São Jorge, assistimos o filme Rômulo e Remo, sobre a criação de Roma. O diretor estava presente, apresentou o filme e foi muito aplaudido. Nossa, nunca vi tanto sangue e tanta luta, com espadadas e facadas! Queria sair no meio do filme, mas fiquei com vergonha do diretor, que estava no caminho da saída.

Em Sintra, ficamos em uma casinha branca com cortinas de crochê nas janelas. Visitamos o Palácio da Pena, onde viveram com suntuosidade Don Carlos I, Dona Maria II, Don Fernando II. E tantos outros, que acabei confundindo tudo (lembrei-me da minha netinha Lia: ela fala que gosta só de princesas, pois as rainhas são sempre malvadas). O Castelo dos Mouros, construído pelos muçulmanos que conquistaram a península ibérica no sec. X, é impressionante e exige um excelente preparo físico para percorrer todas as suas muralhas. O Convento dos Capuchos, que acabou sendo uma visita um pouco aterrorizante. O convento era muito velho, com quartinhos minúsculos, escuros e sombrios. Ficamos com medo de entrar e desistimos, chocadas em pensar como deveria ser a vida dos monges que lá moraram.

Em Porto, fizemos um city tour de trem ao longo do Rio Douro e atravessamos a pé a ponte Luís I. Na Estação de São Bento, tiramos muitas fotos na frente das artísticas pinturas azuis nos azulejos brancos. Ficamos horas na Livraria Lello, folheando alguns livros da imensa e valiosa coleção e nos escondendo do frio e da chuva. Visitamos a Igreja de São Francisco, uma maravilhosa igreja gótica do sec. XVIII, em barroco dourado. Descemos até as catacumbas e vimos muitas gavetas de pessoas com sobrenomes em comum com os brasileiros, como Freire, Mota, Guimarães, Carvalho, Silva, Souza. Somos mesmo descendentes de portugueses.

Em Pinhão, numa região linda, com muitos vinhedos e oliveiras, alugamos uma casinha bem no alto. O problema foi chegar até lá, numa estradinha estreita e tortuosa, de paralelepípedos, e sem nenhuma proteção lateral. Deu muito medo. Entre as muitas coisas que aprendemos (além de ficarmos impressionadas com a quantidade de brasileiros morando e visitando Portugal), vimos que existem muitas palavras diferentes das nossas. Exemplos: moça é rapariga; ponto de ônibus é paragem; trem é comboio; recepção é recessão; aberto é abrido; aluguel é aluguer; obrigada é agradecida.

Enfim, foi bom demais este tempo passado com as filhas, que moram tão longe, na Bahia e na Califórnia. Andamos muito, conversamos, rimos, nos divertimos, rezamos o terço todas as noites e estreitamos os laços mãe e filhas. Quem sabe um dia a gente volta.
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