16/04/2019 às 08h39min - Atualizada em 16/04/2019 às 08h39min

A mãe da noiva (Parte I)

ANA MARIA COELHO CARVALHO
 
Adorei o filme “O pai da noiva”, com Steve Martin. Como também já passei pela experiência, resolvi escrever sobre as emoções e confusões de ser "a mãe da noiva", em dois textos: o primeiro, envolvendo os fatos em torno do casamento, e o segundo, com os momentos emocionantes na igreja.

Minha filha que mora nos Estados Unidos (trabalha como ortodontista) casou-se com um americano. O casamento civil foi nos States e o religioso em Uberlândia. Convite em inglês e em português. Os noivos só poderiam chegar na semana do casamento, com centenas de coisas para resolver. As confusões começaram já na viagem: a noiva veio e o noivo ficou para trás, pois ele tinha dois passaportes e pegou o que não tinha visto para o Brasil. Ficou no meio do caminho, na conexão do voo em Chicago. E ainda atrasaram o voo em uma hora, tentando retirar as malas do noivo. A noiva chorando e o tio do noivo enxugando suas lágrimas, com 180 passageiros do avião acompanhando o drama. O noivo passou três dias em Chicago tentando visto e passagens. E sem as roupas, pois as malas extraviaram.

Assim, perderam o curso de noivos. E sem ele, não haveria casamento. Conseguiu-se um de emergência, de apenas uma noite. Depois, começaram a chegar os americanos, amigos e parentes do noivo, vieram 16. Mais malas perdidas e roupas compradas às pressas no Brasil. Um calçava 48 e ninguém encontrou sapato para ele. Confusão de inglês, português, espanhol e portunhol. O Silveira, coitado, era o motorista da Van de 15 lugares que contratei para o translado dos americanos para os vários lugares. Ele não falava nadica de nada de inglês, e os americanos, apenas “obrigado” em português. O Silveira terminou a missão jurando que ia aprender inglês.

Amigos e parentes da noiva chegando de todo lado. Muitos no hotel, 23 na minha casa, colchões e confusões. Almoço dois dias em casa, com pernil, tutu e couve: confraternização de 50  brasileiros e americanos (parecia a Torre de Babel). O ensaio na igreja (todos fazendo tudo errado), presentes e telegramas, torcida para não chover. O aluguel do carro antigo para transportar a noiva, mas ela queria mesmo era chegar de lambreta no casamento.

Hora do casamento na Igreja Nossa Senhora do Caminho. Depois, as fotos na praça com a irmã fotógrafa e a festa na chácara. No caminho para a chácara, aconteceu um fato engraçado: ensinei o caminho errado para o meu marido e meu irmão. Ficamos perdidos na noite, com seis americanos. Disse para eles: “Sorry, we are lost”. Exclamações, espanto, olhares amedrontados. Vacas e cavalos no caminho, com olhinhos brilhando no escuro. Devem ter pensado que estavam no fim do mundo. O pior é que fui eu que fiz o mapa do caminho! Confundi o nome das ruas, troquei Quarto de Milha por Mangalarga, tudo é nome de cavalo. Fomos os últimos a chegar na festa.

Depois, as felicitações, a alegria, a mesa do bolo com doces cristalizados. O clipe com os momentos importantes da vida dos dois. Pessoas dançando, sorrindo, comendo e bebendo. A decoração com muitas flores, a música gostosa e nostálgica, a felicidade dos noivos.      
No final, tudo deu certo. E como na música de Roberto Carlos, “o importante é que emoções eu vivi.”
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