13/04/2019 às 09h00min - Atualizada em 13/04/2019 às 09h00min

Empreender com Inovação: duas faces da mesma moeda

ANTÔNIO CARLOS
“Empreender, então, é mais do que empresariar. Um empreendedor identifica as oportunidades e as transformam em um negócio lucrativo (atitude), impactando positivamente no desenvolvimento e na qualidade de vida da sociedade”
 
Inovar em produtos e serviços tem sido o objetivo de toda e qualquer empresa ao redor do mundo, inclusive as brasileiras. Mesmo com a atual crise econômica, atenuada pelas dificuldades no mercado interno, o Brasil continua sendo o país do empreendedorismo. Outro fato relevante é que a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2016 revelou que estamos entre os cinco países com empresários mais determinados.

Empreender e inovar são verbos que geralmente caminham lado a lado. O termo empreendedorismo é muito usado no mundo empresarial e corporativo para designar a iniciativa de implementar novos negócios – com criação de empresas ou produtos – ou mudanças – quando a empresa já existe. Empreender envolve riscos e inovações.

A palavra inovação refere-se a uma ideia, invenção ou um objeto criado com o intuito de quebrar paradigmas daquilo que está no mercado. Inovar inclui atividades técnicas, concepção, desenvolvimento, gestão e comercialização de novos ou melhorados produtos e processos. Hoje, de forma simplista, inovações são as invenções mercadológicas dos empreendedores.

Como podemos ver, é quase impossível citarmos empreendedorismo sem mencionar inovações. Temos personalidades como Bill Gates e Steve Jobs que comprovam isso: ambos são considerados empreendedores por suas inovações na área de tecnologia – com desenvolvimento de sistemas operacionais e revoluções na indústria de computadores pessoais, respectivamente.

Empreender, então, é mais do que empresariar. Um empreendedor identifica as oportunidades e as transformam em um negócio lucrativo (atitude), impactando positivamente no desenvolvimento e na qualidade de vida da sociedade. Ele estabelece metas, projeta e controla resultados (planejamento), além de determinar como seus produtos e serviços serão consumidos (inovação).

Em suma, são esses três fatores – atitude, planejamento e inovação – que diferem um empreendedor de um empresário. Há gerações somos ensinados para sermos empregados e não donos do nosso próprio negócio, ou mentes pensantes de ideias inovadoras. Tal cultura faz com que o Brasil tenha mais empreendedores por necessidade do que por oportunidade.

Os empreendedores por necessidades são aqueles que enfrentam alguma dificuldade (desemprego, diminuição da renda familiar, problemas de saúde) e enxergam no empreendedorismo uma chance de mudar os rumos da sua vida. Diante das adversidades, e buscando sua estabilidade financeira, essas pessoas resolvem abrir um negócio autônomo.

Na contramão, temos os empreendedores por oportunidades, que chegam a abandonar seus empregos para se dedicarem à ideia e planejamento do novo negócio. Exímios observadores, eles possuem, na maioria dos casos, um conhecimento prévio do ambiente empresarial e reservas financeiras para investir no projeto que poderá galgar o sucesso no futuro.

No Brasil, segundo a GEM, a maioria dos empreendedores são por oportunidade, contrariando as estatísticas de outros países com baixo índice de desenvolvimento econômico. Independentemente da motivação para o empreendedorismo, ambos grupos são responsáveis por manter o nosso mercado aquecido, criando métodos e produtos que facilitam a nossa vida.

Pensando estrategicamente, diante de tantos sobressaltos e incertezas com relação ao cenário atual, que se apresenta cada vez mais competitivo, para se destacar no mercado é necessário ser um empreendedor inovador. É preciso oferecer algo diferente e que seja um elemento de promoção da mudança e do desenvolvimento econômico.

Empreendedores devem reunir características de gestor e de inovador sistemático, contribuindo com suas ideias e sua maneira de administrar, tomando a frente das decisões para o sucesso do seu negócio. A melhor tática é envolver tanto os funcionários da empresa quanto aqueles que são impactados por ela – como consumidores, fornecedores, parceiros e até concorrentes.

Este conceito de buscar a inovação fora da empresa é conhecido como inovação colaborativa ou inovação aberta (open innovation). Tal conceito ainda é pouco aplicado no Brasil, mas funciona muito bem quando utilizado de forma racional e objetiva, como a Nokia e o Google fizeram.

Os empresários que querem ser reconhecidos como empreendedores inovadores devem adotar o hábito de usar as capacidades colaborativas de pessoas que estão no ambiente da empresa, apropriando-se de todas as oportunidades de criação e melhoria de seus produtos e serviços. O resultado será um melhor desempenho e maior competência empresarial.
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