07/01/2019 às 08h26min - Atualizada em 07/01/2019 às 08h26min

"Ídolos com pés de barro"

ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA
Um ídolo em sua essência é um objeto de adoração que representa materialmente uma entidade espiritual ou divina, e a ele são associados os poderes sobrenaturais, que permitem contatos com os mortais do outro lado do mundo e a idolatria é a prática de adoração de ídolos. Na atualidade, especialmente após os avanços tecnológicos, os ídolos permitiram maior acesso da pessoa comum aos trabalhos de artistas, políticos e personalidades importantes.

O termo "ídolo" expandiu-se da esfera divina para a esfera humana, a fim de nomear aqueles que realizam o nosso desejo “virtual”, em vez de nós próprios, sem que tenhamos de despender energia, atenção e conhecimento para alcançarmos um objetivo. Esse ídolo, muitas vezes, traduz-se pela visão da nossa figura vigorosa de outrora, transformando-se num mito íntimo, símbolo máximo de força vencedora de qualquer circunstância ou situação. A prática de idolatria é que banaliza o ídolo.

Entende-se por celebridade uma pessoa popular e muito conhecida. As celebridades como fenômenos sociais dependem da comunicação social, mas podem ser observadas já no século XV. Nos idos de 1616, quando a imprensa começava a se firmar, foram publicados os "livros noticiosos" na Inglaterra, dos quais 30% eram dedicados à figuras públicas da época, como a rainha Isabel I. Diferentemente da celebridade, a subcelebridade não é consolidada e nem tem profissão definida. Ela normalmente alcança fama com assuntos apelativos e alta exposição pessoal, alimentada através de paparazzi e divulgação em meios de comunicação. 

Os ídolos com pés de barro são aqueles que se bravateiam pelas ruas, colocando-se no pedestal e discursando lá das alturas, em alta voz: nós somos os maiores. Praticando a política do faz-de-conta, criam uma espécie de sociedade fictícia para aqueles que não sabem ou não querem saber. Fazem-lhes promessas que não cumprem, pois sabe que seus adoradores têm a memória curta. Aos que têm medo, ameaçam-lhes com tudo o que podem, sutilmente, para que os demais não apercebam. Aos que não têm medo, demonstram sua força, mostrando-lhes os dentes.

Devemos fazer uma autoavaliação e equilibrar nossos pensamentos. É indispensável que tenhamos o direito de criticar um político famoso, ao mesmo passo que criticamos a política econômica adotada por um ministro recém empossado ou os discursos desconexos de um político qualquer. Permita-nos não concordar com um ex-presidente e suas ações fora de contexto. Permita-nos o direito de consentir, em partes, com o presidente recém empossado, sem ser um “bolsonete”. Permita-nos continuar a nossa luta pela democracia e republicanismo, longe da lábia dos ditadores da opinião única.

Obviamente, não podemos cair na tentação de amar a política econômica socialista, nem tampouco como conservadores, sermos insanos a bater palmas para o relativismo cultural dos globalistas. Isto é o mínimo que se espera dos sensatos. Não assinamos contrato de exclusividade e de defesa unânime de uma pessoa ou visão. Temos o direito de guardar a liberdade para criticar a oposição e, principalmente, a nossa própria visão política, sem nos tornarmos fantoches de uma instituição ou diretório.

Pensando Estrategicamente: o Brasil tem tudo para ser de fato uma grande nação. Passada a última eleição, cabe-nos agora cumprir a obrigação cívica de cobrar dos eleitos as promessas de campanha. Antes de exigir os seus direitos, o cidadão deve cumprir as suas obrigações. E a maior obrigação é a de mudarmos essa triste realidade que temos, que é a contínua fiscalização daqueles que receberam o nosso voto.

Você tem respaldo moral para fiscalizar seus candidatos? Porque caso tenha vendido o seu voto, como fará para exigir do seu representante que exerça o cargo respeitando os princípios norteadores da administração pública, como impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência? Grandes manifestações públicas já deixaram feridas nunca cicatrizadas. O populismo é o prenúncio do totalitarismo, e idolatrar políticos é o início da “idiotização” em massa. Admirem, não adorem. Batam palmas, mas não matem e nem morram por ídolos frágeis, com pés de barro.
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