04/01/2019 às 09h02min - Atualizada em 04/01/2019 às 09h02min

Não existe almoço grátis

CELSO MACHADO
A sabedoria popular nos ensina que remédio com gosto ruim é que normalmente oferece mais resultado.

Faz sentido. Não é nada agradável tomar injeções, fazer dieta, abrir mão de prazeres, fazer atividades físicas diariamente, tomar chá de boldo e por aí afora.
Quem já passou, está passando ou vai passar por isso sabe como é difícil fazer regime. Ter que abrir mão de prazeres, de hábitos, de costumes e de tanta coisa gostosa.

Azar de quem não tem uma estrutura física dessas privilegiadas, daqueles que comem, bebem de tudo e continuam com aquela “magreza irritante”. A grande maioria, na qual me incluo, tem que fechar a boca e suar muito para ver se consegue “desengordar” um pouco. Manter a forma naquele limite do “quase fofo” ou “fofinho”, para não ser classificado como obeso e arcar com as consequências e desdobramentos do excesso de peso.

E não é só na saúde. A superação de desafios, a luta por metas ambiciosas, o rigor nos desperdícios, o sacrifício por um objetivo é o que se tem que pagar para alcançar conquistas e realizações. “Não existe essa coisa de almoço grátis” é uma frase popular que reforça essa ideia de que é impossível conseguir algo sem dar nada em troca. Tudo na vida tem preço.

O porquê dessas colocações, tentarei explicar. Seja no âmbito federal, estadual e até mesmo municipal, para não falar do familiar os tempos estão difíceis. Todos almejamos e torcemos por melhoras. Até aí nada demais. Afinal quem não quer uma vida mais agradável? O desafio é como conseguir isso. Mudar deixando tudo como está não faz sentido, é apenas uma utopia. Esperar que elas aconteçam como num passe de mágica sem nos afetar é outra.

Ficar torcendo por resultado diferente continuando agindo do mesmo jeito não é fé, é teimosia. Para não usar um outro termo mais pejorativo.

Sem demagogia, nestes tempos em que estamos vivendo, os mais abastados certamente terão que abrir mão de uma cota maior do que aqueles que tem menos. Mas certamente o sacrifício deverá ser de todos.

E cabe aos dirigentes, que assumiram cargos sabendo das dificuldades que teriam pela frente, tomar as medidas antipáticas, mas imprescindíveis. Um dos grandes sábios que conheci e com quem convivi diretamente, Mário Grossi, tinha um pensamento muito preciso sobre decisões desagradáveis, impopulares porém necessárias. Dizia ele “quem quer ficar bem com todo mundo, acaba sendo ruim com todo mundo”. E explicava isso de uma forma simples:  quem assume a responsabilidade de comandar,  assume a obrigação de fazer o que é necessário, nunca adiar o que é urgente, corrigir o que ainda é possível de ser consertado. Ainda que tenha que arcar com a antipatia dessas decisões. Deixar como está, quando as coisas não estão correndo bem acaba sendo péssimo para todo mundo.
Pior do que remédio de gosto ruim é não ter remédio nenhum mais pra tomar. Ver esgotadas qualquer chances  de cura.O cuidado que nossos mandatários precisam ter é não confundir que tudo que tem sabor amargo possa ser remédio.

E,  sobretudo que eles, seus parentes, amigos, correligionários,  parceiros  tomem do remédio que receitarem... Ah e claro, ter sempre em mente que se o sacrifício é de todos, os benefícios quando vierem devem ser de todos também... Até mesmo daqueles de quem não gostam ou não gostam deles.
 
 
 
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