13/08/2018 às 11h57min - Atualizada em 13/08/2018 às 11h57min

Política brasileira: Tudo acaba em pizza. Será?

ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA | PROFESSOR UNIVERSITÁRIO E ANALISTA DE NEGÓCIOS
“O Brasil não pode aceitar ser comandado por políticos acusados de corrupção, que de longa data vêm solapando nossas perspectivas de desenvolvimento como Nação”
 
Incerteza: falta de certeza; dúvida. Estado da pessoa que duvida. Estado de coisa incerta. Estes são o significados da palavra que define o sentimento do brasileiro com a chegada das Eleições 2018. Após quatro anos de uma intensa polarização política e uma crise institucional que se desdobrou em uma intensa crise econômica, o Brasil volta às urnas em meio a um cenário eleitoral embaralhado e tenso.

Nas últimas eleições presidenciais, o Brasil era outro: a Lava Jato não existia, a economia brasileira ainda era uma das mais estáveis do continente, Aécio Neves era uma das figuras políticas mais populares do país, Dilma Rousseff tentava a reeleição com o apoio do ex-presidente Lula – então um estadista de prestígio incontestável. O que sucedeu as eleições, contudo, foram episódios bizarros que não haviam sido previstos nem mesmo pelo mais pessimista dos brasileiros. Apesar de um início de mandato complexo, Dilma encerrava seu primeiro ano fortalecida e com uma relação tensa com seu vice, Michel Temer. Analistas chegavam a questionar durabilidade de Temer no governo petista. No fim das contas, Dilma caiu e Temer sobreviveu a três episódios que por pouco não lhe custaram o mandato – mesmo possuindo índices recordes de impopularidade.

Tendo atravessado estas situações traumáticas, nossos olhos se voltam novamente para a escolha de “novos” líderes. Nas Eleições 2018, serão eleitos os principais cargos dos poderes Legislativo e Executivo nos âmbitos Nacional e Estadual, entre eles o presidente da República, governadores dos estados, dois terços do Senado Federal, deputados federais e estaduais ou distritais. Os mandatos têm duração de quatro anos – com exceção aos senadores, que possuem mandatos de oito anos.

Para angariar mais votos e garantirem mais cargos eletivos ou mesmo de confiança, os partidos políticos criam alianças e organizam-se em coligações partidárias, que são nada mais, nada menos que “pactos” entre partidos, normalmente de ideias afins, para governar um país, uma região ou outra entidade administrativa. Elas podem ser formadas antes ou depois da época eleitoral, e são estabelecidas com o intuito de garantirem a governabilidade e a defesa dos “seus” – vale lembrar que os acordos entre os partidos derrubaram Dilma Rousseff, mantiveram Temer no poder e garantiram o desenho de novas regras que devem ajudar membros do Legislativo a manterem seus mandatos.

Como podemos perceber com os acontecimentos caóticos dos últimos anos, o Brasil é um país onde o cumprimento das leis ainda sofre uma série de problemas estruturais. Em vez de observarmos o cumprimento daquilo que é determinado, é possível observarmos que nossas leis acabam se enfraquecendo pela falta de fiscalização (uma das responsabilidades do Poder Legislativo) ou pelo fato da lei em questão “não ter pegado” entre a população. Mais revoltante ainda é saber que a posição social dos indivíduos também determina o cumprimento ou não daquilo que nossos extensos códigos (que, por acaso, determinam que “todos somos iguais perante a Lei”) dizem. Afinal, nunca se sabe “com quem se está falando”.
Vez ou outra, observamos que importantes figuras políticas são processadas e acusadas por crimes de corrupção graves o suficiente para lhes custarem a carreira e a própria liberdade. Provas são reunidas, indícios organizados e discussões feitas para se falar sobre os casos. Geralmente, quando as medidas legais demoram a ser aplicadas, vemos que sempre aparece algum tipo de subterfúgio que salva milagrosamente o acusado. Por esses motivos, os populares e os meios de comunicação bradam que tudo “acabou em pizza”.

Pensando estrategicamente, o Brasil não pode aceitar ser comandado por políticos acusados de corrupção, que de longa data vêm solapando nossas perspectivas de desenvolvimento como Nação. A resposta da população neste momento será fundamental: devemos exercer nossos direitos e deveres como cidadãos, banindo do nosso meio todos aqueles que não honram os votos que receberam para nos representarem. É chegado o momento de refletimos sobre a máxima “tudo acaba em pizza”, expressão cuja origem está relacionada aos desmandos e à corrupção brasileira no ambiente político. Mas, mais do que refletirmos, é chegado o momento de tomarmos decisões e agirmos em prol do nosso Brasil.

 
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