23/05/2018 às 12h02min - Atualizada em 23/05/2018 às 12h02min

Inovação e empreendedorismo da contabilidade no Brasil

ANTÔNIO CARLOS DE OLIVEIRA | COLUNISTA
 
A palavra “contabilidade” é um termo que causa arrepios em muita gente, desde as donas de casa até os CEOs das empresas mais bem-sucedidas do mercado. Seja no ambiente doméstico, em um empreendimento ou até mesmo na União, ter domínio das próprias contas é parte essencial para a manutenção do equilíbrio e da prosperidade do ambiente.

A origem da contabilidade remete aos primórdios das civilizações capitalistas, quando o escambo ainda era predominante nas microeconomias de vilas e cidades. Assim, surgiu a necessidade de o homem iniciar os registros de suas trocas, tanto para compreender aquilo que entrava e saía de seus domínios – uma prática conhecida atualmente como “fluxo de caixa” –, quanto para ter a certeza de que as trocas realizadas seriam justas para os dois lados envolvidos. Oficialmente, o Frei Francisco Luca Pacioli é considerado o “pai” da contabilidade, pois foi o responsável pela criação do método das partidas dobradas.

Mas, afinal, no que consiste essa palavra que, por séculos, tem sido uma pedrinha no sapato de tanta gente? Bom, a contabilidade é, em essência, nada mais que uma ciência aplicada que tem como objeto de estudo o patrimônio das entidades. As ciências contábeis estudam os fenômenos e variações desse patrimônio, levando em consideração aspectos quantitativos e qualitativos.

Já deu pra perceber a importância dela na nossa vida, não é mesmo? Embora a descrição das práticas contabilísticas pareça algo extremamente complexo e amedrontador, você faz isso diariamente, ainda que sem perceber. Se você paga suas contas e administra um salário, lucros ou até mesmo uma mesada, voi lá: você está exercendo funções contábeis!

Se você pensa que a contabilidade reside em números e equações assustadoras, você está enganado. É claro que os números são parte inexorável das ciências contábeis, mas elas vão muito além deles: além de lidar e mensurar algarismos, é preciso entende-los e saber “dialogar” com eles. Compreender as operações e fenômenos financeiros e econômicos de uma empresa ou órgão é vital para a tomada de decisões – que, por sua vez, consiste basicamente na definição dos rumos e direções encarados pela empresa.

Logo, podemos aferir que apenas o conhecimento técnico, por mais imprescindível que seja, não é garantia de uma excelência profissional completa, uma realidade potencializada por uma série de motivos típicos da “nova era” da contabilidade: o contexto das tecnologias tributárias, da internacionalização de empresas brasileiras, da carência de pessoal capacitado, das mídias sociais e do acelerado crescimento do empreendedorismo na “nova classe média” – que criou muitas oportunidades mas, ao mesmo tempo, ameaças para aqueles que pretendem ou já desenvolvem negócios na área.

Tomando como base o primeiro fator enumerado (as mudanças e avanços nas tecnologias tributárias), não há como deixarmos de discutir as transformações trazidas pelo Sistema Público de Escrituração Digital – que transcendem até mesmo conceitos tributários e fiscais. Os impactos dessa mudança na forma de prestação de contas ao fisco também vão além do simples uso de novos sistemas. A legislação tributária brasileira, contudo, não tem acompanhado essas mudanças e não foi atualizada ou mesmo revista para atender às novas tecnologias e à formação de novos profissionais da área. Será que a ciência da contabilidade está preparada para enfrentar essas mudanças?

Pensando estrategicamente, as escolas e os profissionais envolvidos com as ciências da contabilidade precisam compreender as mudanças pelas quais estamos passando em nossa sociedade, onde os impactos no cotidiano das organizações exigem quebra de paradigmas. Precisamos enumerar, analisar e refletir sobre as perdas e ganhos trazidos por essas mudanças e transformações à prática da contabilidade, fazendo uma avaliação cuidadosa deste cenário, buscando sempre a melhoria, a modernização e a integridade patrimonial das nossas organizações – sejam elas nossas casas, nossos negócios ou nosso país.
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