01/02/2018 às 09h59min - Atualizada em 01/02/2018 às 09h59min

Eles já estão entre nós

FERNANDO CUNHA* | LEITOR DO DIÁRIO

Ainda há uma discussão muito grande no meio corporativo sobre como atrair e manter os jovens da chamada geração Y, que hoje têm, em média, 25 anos de idade. Como se não bastasse, os representantes mais velhos da geração Z já estão no mercado de trabalho. Sim, eles estão entre nós. São jovens com até 20 anos de idade. Segundo previsão de especialistas, em 2020 a geração Z representará mais de 20% do mercado de trabalho, o que exigirá das lideranças uma adaptação à maneira de se comunicar com estes jovens, criados num ambiente completamente digitalizado e altamente protegidos pelos pais.

Tratando-se das classes A e B, são jovens criados sem limites de conexão, que sempre ganharam de tudo, inclusive bens materiais, e não conseguem lidar com perdas. “Eles não respeitam a figura autoritária, a não ser que sejam conquistados por ela”, ressalta Bruce Tulgan, consultor de liderança e autor do livro “O que Todo Jovem Talento Precisa Aprender” (Editora Sextante). A geração Z, altamente conectada ao mundo através da internet, criou uma espécie de ruptura com o antigo conceito de que quem tem conhecimento tem poder.

Em sua maioria, a geração Z chega à idade produtiva com muito entusiasmo, energia e preparação técnica. Eles são ávidos em aprender, o que não é um fator negativo, ao contrário. Esta geração cresceu se relacionando e se familiarizando precocemente com o Google e tantos outros instrumentos tecnológicos que não existiam ou não eram tão populares há 10 anos, como o Instagram, Facebook, Snapchat, Whatsapp, Iphone, Ipad, Kindle, Spotfy, Netflix, entre outros.

Neste cenário, cabe ao líder se reinventar e recriar diferentes maneiras de se comunicar com essa “galerinha” de novos colaboradores (literalmente novos). Revistas e sites especializados já apontam alternativas para que as lideranças aprendam a se adaptar aos tempos atuais. Inúmeras empresas, principalmente aquelas que lidam mais frequentemente com esse público, como os call centers e startups, já estão se mobilizando para recepcionar estes jovens.

A Ikê Assistência, empresa que vende apólices de coberturas para situações diversas, já realiza o treinamento dos colaboradores através de plataformas digitais e migrou sua comunicação para o celular. A ação visou atender aos jovens, mas todos os colaboradores se beneficiaram com a modernização. Numa reportagem publicada na Revista “VOCÊ S/A”, a empresa alega que, devido a estas mudanças, a rotatividade (turnover) caiu de 12% para 4%.

Maneiras obsoletas de comunicação e liderança não “colam” com a geração Z. Para o líder, é hora de “libertar” o jovem que existe dentro de si, mesmo que seja tratado como o “tiozão” da equipe. Uma maneira de se adaptar a esta “nova onda” é buscar cursos de capacitação voltados para o tema e se modelar nos professores que hoje atuam no ensino médio. Mesmo que nós não sejamos mais tão jovens, eles ainda têm muito a nos ensinar.
(*) Jornalista, comunicador e palestrante
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