30/01/2018 às 17h21min - Atualizada em 30/01/2018 às 17h21min

Uma Lava Jato em cada esquina

ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA | COLUNISTA

Todo grande passo começa com um bom planejamento. Se você planeja comprar um carro, é preciso um bom projeto de finanças. Se você planeja reformar sua casa, além do planejamento financeiro, é necessário um elaborado plano arquitetônico. Se você almeja uma vaga na Universidade ou naquele concurso dos sonhos, é preciso estabelecer um cronograma de estudos eficiente. Qualquer que seja a sua meta, o planejamento é sempre o meio para atingi-la.

Isso é válido, também, para o nosso país. Apesar dos indícios de melhora na economia, a crise continua como um grande fantasma que assombra os brasileiros – um fantasma que ganha uma dimensão ainda maior quando associado à crise política e aos escândalos de corrupção vivenciados nos últimos anos. As redes e as ruas já demonstraram a sede de mudança do povo brasileiro que, em 2018, tem a chance de concretizar seus desejos nas urnas.

Mas, assim como uma reforma ou a compra de um carro novo, uma mudança que abarque todos os níveis de nossa sociedade requer muito planejamento e a elaboração de um projeto que consiga passar o Brasil a limpo: condenando os corruptos de todas as instâncias da sociedade, independente de qual a casta ele pertença.

Com início da operação Lava Jato, há quase quatro anos, esboçam-se as primeiras tentativas de passar o país a limpo. A operação que começou a investigação recebeu o nome Lava Jato porque, em um dos desvios de dinheiro, um grupo usava uma rede de lavanderias e postos de combustíveis para movimentar os recursos ilícitos, mas, porteriormente, tomou proporções nacionais e alcançou inúmeras figuras públicas, empresas e partidos políticos. Desde então, bilhões de reais em desvios e outras medidas ilícitas foram recuperados aos cofres públicos. Mas, apesar do aparente sucesso, a Lava Jato não consegue, por si só, contemplar toda a sujeira que existe no Brasil. Mesmo dentro das próprias investigações existem réus cujos crimes não chegaram ao conhecimento público e, por consequência, não pagaram por seus atos.

Esse cenário reflete que o projeto “Brasil passado a limpo” está no rascunho, mas, por se tratar de planos frágeis e não pensados na amplitude necessária, ele dificilmente conseguirá se concretizar na sua plenitude. Além das estratégias de combate a corrupção, o povo brasileiro tem demonstrado esforços absurdos na busca por um país melhor, mais honesto e digno. Mas, a força de vontade não basta: para que o projeto tenha bases sólidas e fortificadas, precisamos de lideranças verdadeiras, que possam fazer a gerência desse projeto e encaminhá-lo para a sociedade como um todo. Lideranças que – diferentemente das que possuímos hoje – governem tendo em mente o bem comum, e não apenas os interesses de grupos específicos de pessoas. Lideranças que não tenham medo e nem rabo preso, e que sejam capazes de peitar os poderosos, e acima de tudo que prezem os valores morais, a ética e a honestidade.

Pensando estrategicamente, para que nosso país deixe de ser o país do futuro e passe a ser o país do agora, é necessário que instalemos uma Lava Jato em cada esquina. Precisamos ensinar ao país que, ao contrário do que tem sido comum nos últimos anos, o caminho da desonestidade, da ganância e da malandragem tem consequências pesadas. Os corruptos e desonestos acreditam na impunidade e na ineficiência das nossas leis e suas aplicações. Urge uma inversão de valores que condene esse tipo de atitude e, em contrapartida, ensine a população que apenas por meio de muita luta e trabalho se constrói uma grande nação.
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