16/01/2018 às 17h48min - Atualizada em 16/01/2018 às 17h48min

'Doentes de amor'

KELSON VENANCIO | COLUNISTA
Foto: Divulgação

“Doentes de amor” é um filme que faz você rir, se divertir e acima de tudo, refletir. “The big sick”, que é o nome do longa no original, significa "A grande doença" e com sua tradução para o português pode dar a entender que se trata de mais uma comédia romântica, daquelas bem pastelonas. Mas o filme é na verdade um drama bem aprofundado e que aborda uma síndrome rara vivida pela mulher do protagonista que aconteceu na vida real.

O comediante e motorista de Uber paquistanês Kumail (Kumail Nanjiani) e a estudante de psicologia Emily (Zoe Kazan) se apaixonam em Chicago, mas encontram dificuldades no momento em que suas culturas entram em conflito. Quando Emily contrai uma doença misteriosa e é colocada em coma, Kumail tenta enfim resolver o conflito emocional entre sua família e seu coração.

Como o filme é uma adaptação da verdadeira história da vida do ator Kumail Nanjiani e ele mesmo (ao lado da esposa) assinam o roteiro da produção, o resultado final é extremamente agradável e convincente. A narrativa, apesar de ser mais dramática do que comédia, é bem leve e gostosa de acompanhar. O longa aborda temas bastante interessantes como o preconceito racial e o fanatismo religioso, além de mostrar os problemas enfrentados em um relacionamento.

“Doentes de amor” também tem uma direção bem eficaz de Michael Showalter (“Doris”, “Redescobrindo o amor”) que consegue acompanhar muito bem os conflitos de Kumail consigo e com sua família muçulmana estabelecida nos Estados Unidos. E tudo porque ele nasceu no Paquistão, quer ser comediante e não um advogado como a família deseja, finge que reza todos os dias ainda namora secretamente uma mulher branca, algo inaceitável para seus pais tradicionalistas.

As atuações também agradam bastante. Kumail já se mostrou ser um bom ator na série “Silicon Valey” e agora começa a dar as caras nas telonas com bastante eficiência. Zoe Kazan também não fica para trás, apesar de ficar um bom tempo fora de cena. E o elenco de apoio também consegue fazer um excelente trabalho, especialmente os pais dos protagonistas que roubam as cenas em que aparecem.

Nota 7
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