18/12/2017 às 18h00min - Atualizada em 18/12/2017 às 18h00min

Na política é tudo igual

CARLOS ROBERTO FELICE* | LEITOR DO DIÁRIO

Na minha cidade, desde a adolescência, eu ouço uma cantilena. Basta uma rodinha no boteco, ou nos clubes, ou numa reunião por motivo qualquer para que alguém saia com essa: “Araguari não vai para frente porque não faz como se faz em Uberlândia”. E explica: “Lá, quando acaba a eleição, eles se unem independente dos partidos a que pertencem”. Só rindo para não chorar. Que mentira! Tanto lá quanto cá é tudo igual. Quando me lembro disso ou torno a ouvir a baboseira repito as risadas: pobres conterrâneos desinformados e inocentes que não conhecem os meandros da política uberlandense.

É que realizadas as eleições e conhecidos os resultados aí é que os ânimos se acirram e o pau come. O sujeito mal toma posse e já sente no lombo o estalar da chibata da ferrenha oposição, a mesma de que se utilizou quando estava do outro lado. Quem com ferro fere com ferro é ferido. Quem ganhou volta ao passado, e com a faca nos dentes revida e pisa em quem perdeu. E quem perdeu tem que entender, na marra, as mesmas razões brenistas ao impor aos romanos o peremptório Vae Victis dos derrotados.  Ai dos vencidos! Passadas as eleições, aí é que o bicho pega na cidade grande.

Na politicagem de província uma coisa é vinculada a outra, primeiro busca desqualificar o inimigo para, depois, num oba-oba explícito, autovalorizar-se. A lógica é perversa, isto é, para enaltecer suas qualidades é preciso que o sujeito, antes, denigra o outro. Ele só se proclamará um bom, cheio de virtudes, se disser que o outro é ruim. Abra os jornais, ouça as entrevistas, assista às sessões da Câmara e os debates pela TV, entre no Facebook e se estarreça diante de páginas onde outro assunto não há a não ser política, dia e noite, sem parar, um caindo de pau no outro, dizendo delírios agradáveis à sua própria vaidade. Arrogância, inveja, revide, ciúme, inconformismo por não ter o poder são os traços comuns a todos. Coisa patológica. Quem perdeu não se conforma por não ter mais o mando. Quem ganhou parece perdido e lambuzado no melado, não soube ganhar e escancara o confronto.

E assim caminha a humanidade, não importa onde ela esteja, seja em Araguari, Uberlândia ou nos confins desse Brasil varonil: nada é diferente, é tudo igual, apenas mudam-se os mosquitos.

(*) Jornalista

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