04/12/2017 às 05h52min - Atualizada em 04/12/2017 às 05h52min

Apertei o cinto

ALEXANDRE HENRY ALVES* | COLUNISTA

Eu tenho um amigo médico que frequentemente me diz que, se ele pudesse desejar apenas uma coisa para a humanidade, não desejaria paz, mas que ninguém fosse gordo. Segundo ele, a obesidade traz tantos problemas de saúde que o mundo seria bem melhor se todos fossem magros (ou no peso normal, para ser mais exato).

Eu nunca fui gordo. Meu recorde de peso se deu esse ano, por volta de junho, quando subi na balança e ela passou dos 75 kg. Na aparência, ninguém me chamaria de gordo ou mesmo de alguém com sobrepeso. Mas, se fosse para levar a ferro e fogo as recomendações médicas, eu teria que dar um pequeno refresco à balança, já que o meu limite de IMC (25) daria algo em torno de 72,25 kg. Como realmente eu nunca tinha me sentido acima do peso, não dei bola para isso, até porque os números eram mais generosos pela manhã, vestido de Adão, oportunidade em que a balança normalmente marcava 73 kg.

Aí, vieram três exames que me assustaram, pois nos três a minha glicose em jejum passou de 100 mg/dL, embora em nenhum deles tenha superado o cabalístico valor de 125 mg/dL. Em síntese, mesmo nunca tendo sido gordo, eu poderia ser classificado como pré-diabético, segundo me ensinou o Dr. Google, depois confirmado por um médico de carne e osso. Enfim, era momento de eu tomar uma atitude, até porque os casos de diabetes na minha família se espalham como fogo no cerrado no mês de agosto.

Quando você quer perder peso, não existem milagres. Apenas duas opções estão à sua disposição: a) manter o nível de ingestão de calorias no mesmo patamar, elevando os gastos calóricos, o que somente pode ser obtido por meio de exercícios físicos (não, não existe outro jeito); b) manter o nível de gastos calóricos, mas diminuir a ingestão de calorias. Claro, existe a combinação dessas duas opções, o que costuma dar ainda mais resultados. Fora disso, esqueça. Cirurgia para redução de estômago? Entra na primeira opção, de redução de calorias. Gel emagrecedor? Só serve para emagrecer neurônios. Massagens e aparelhos que fazem o serviço enquanto você fica deitado, mexendo no celular? Também tem a ver mais com neurônios, ou melhor, a falta deles, do que com emagrecimento de verdade.

Eu já sabia que era assim e tinha então que tomar uma decisão. Foi fácil. Eu sempre limitei a minha atividade física ao mínimo recomendado pela Organização Mundial de Saúde para não ser considerado sedentário. Quando reli a quantidade de calorias gasta após uma hora de corrida, cerca de 600 kcal, não tive dúvidas do caminho a ser tomado. Uma mísera banana prata tem 100 kcal em média, ou seja, equivale a dez minutos de corrida. Duas bananas e minha média diária de exercícios já se foi. Banana – você leu direito? Não estou falando de pizza, sanduíche, rodízio na churrascaria com direito a cupim gorduroso, macarrão com aquele molho parrudo, nada disso. Estou falando de uma fruta, uma mísera fruta.

Solução? Melhorar a alimentação. A primeira atitude que tomei foi cortar o açúcar do café. Passei a usar adoçante. Ah, mas adoçante pode provocar câncer! Sim, entre a possibilidade (não comprovada) de ele provocar câncer e a certeza (comprovada) de que o açúcar me tornará diabético, a escolha fica fácil. Ainda falando do café da manhã, limitei essa refeição a um pão francês e nada mais. Antes, eram quase dois. Na hora do almoço, tomei como meta reduzir o peso do prato em 100 gramas, colocando mais salada e menos carboidratos. Além disso, deixei de comer arroz comum e adotei o integral. O pior, porém, foi não olhar mais para o melhor pudim de leite condensado do universo, disponível gratuitamente para os clientes do restaurante onde almoço várias vezes por semana. Isso foi cruel, mas foi algo necessário. O lanche da tarde foi simplificado e, à noite, nada de refeição pesada todos os dias.

No final das contas, eu não sofri tanto quanto achei que iria sofrer. Perdi sete quilos em três meses e não tenho sentido fome. Foi só questão de readequar a alimentação mesmo. Percebi que boa parte do que eu comia era por gula, não por necessidade. A gente come mais do que precisa, simples assim. Eu percebi também que, se deu certo para mim, pode dar certo para qualquer um que queira emagrecer também, desde que o problema, claro, não seja alguma disfunção hormonal ou coisa parecida. Basta ir diminuindo a quantidade de comida, melhorando o que você põe na boca, com calma e persistência, que dá certo.

(*) Juiz Federal e Escritor - www.dedodeprosa.com

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